Retratação, resgate da nossa dignidade
Em razão da violência institucional e da brutalidade a que foram submetidos na estúpida “Operação Máscara” da Polícia Civil, sem dúvidas aquela terça-feira 24 de agosto de 2010, jamais poderá ser esquecida pelos servidores penitenciários Antonio Ranulfo e Antonio Jorge Freitas e por toda a categoria.
Fruto de uma investigação que durou cerca de dez meses, a Operação Máscara integrada pelas secretarias estaduais da Segurança Pública (SSP), da Fazenda (Sefaz) e da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, (SJCDH), tinha por objetivo desarticular uma quadrilha de estelionatários que atuava na Penitenciária Lemos Brito (PLB) acusada de praticar crimes contra contribuintes que possuíam dívidas com a Secretaria da Fazenda (Sefaz). De acordo com as investigações da Polícia Civil, o grupo obtinha informações sigilosas de processos administrativos fiscais e dados cadastrais de empresários, advogados e contadores.
Acusados de participar do esquema de corrupção, os agentes penitenciários Antonio Ranulfo e Antonio Jorge Freitas sob o olhar perplexo e curioso da comunidade, tiveram suas residências “invadidas” pela Polícia Civil e foram presos pela mesma que agiu com cumplicidade da SJCDH.
Durante as investigações, em entrevista coletiva à imprensa o ex- secretário da SJCDH, Ivan Bessa Junior, chegou a mencionar na época que eles realmente estavam envolvidos. “Houve uma facilitação para a entrada de equipamentos pequenos como chips e celulares”. Após tal afirmação, o secretário tinha ainda a intenção de divulgar os nomes dos colegas como parte dos integrantes da quadrilha e apresentá-los às emissoras que estavam naquele momento cobrindo o fato. Prezando sempre pela busca da verdade, o SINSPEB interviu e o obrigou a recuar da idéia.
Mobilizada durante três dias, a categoria transformou o Complexo Penitenciário na sua trincheira de resistência. Certos de estarem defendendo distintos profissionais, exemplares pais de família, e não bandidos, apesar de algumas manobras institucionais, como a tentativa do uso da força policial, a categoria se manteve na portaria da Lemos Brito e conseguiu a libertação dos servidores.
Após tal episódio, o SINSPEB encaminhou uma carta ao governador Jacques Wagner, pedindo esclarecimento sobre o suposto envolvimento dos colegas, ao tempo que pediu também uma retratação por parte da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos. Posteriormente, solicitamos ao atual gestor da pasta da SJCDH, secretário Almiro Sena, mas infelizmente além das promessas, nada foi feito.
O SINSPEB não esquece este fatídico dia e por isso continuará cobrando do governo, seja qual for o secretário, ainda que seja outra a secretaria, esclarecimento sobre estas acusações injustas e indevidas.
Um ano depois – Não se sabe ao certo, mas o Sinspeb acredita que o processo possa está arquivado e nada até hoje ficou provado contra os agentes penitenciários que ficaram três noites detidos injustamente na Corregedoria da Polícia Civil.
O sindicato entende que houve um grande equívoco, uma falta de prudência na Operação Máscara. Para a entidade, tais acusações não apenas feriu a dignidade dos colegas acusados, mas também de toda a categoria. Devido as conseqüências do fato, que foram desastrosas, a categoria vem a público pedir que o GOVERNO se retrate aos colegas por este ato calamitoso. “O MESMO QUE PUNE, DEVE TER A HUMILDADE DE RETRATAR-SE QUANDO ERRA”.
À direção.
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